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TENHO CONSCIÊNCIA DO QUE É IMUTÁVEL PARA MIM?
12 de April de 2021

Temos consciência do que é imutável para nós? Se você pudesse escrever em uma pedra os valores que para você são imutáveis, o que você escreveria? Embora seja um péssimo ato, muitas pessoas ao percorrem um vale com belas árvores, deixam algumas vezes em seus troncos frases ou palavras que demonstram ou exploram o que elas são. Bem, pergunto novamente. O que você escreveria em uma pedra que definiria você?

Bom, começo este artigo falando sobre mim. Afinal, o autoconhecimento não deve ser ensinado deveria ser uma busca contínua de cada um de nós. No entanto, faremos neste artigo um esforço para juntos, percorremos um caminho na busca do que é imutável para cada um de nós.

Como disse acima, quero começar fazendo com você algumas reflexões sobre a nossa percepção da imutabilidade. Afinal, existe algo que realmente é imutável?

Os grandes filósofos pré Socráticos, ou seja, antes do filósofo maior Sócrates, passaram boa parte das suas vidas falando das observações que faziam da natureza. Para eles as respostas para nossas dores e conflitos estavam ali mesmo ao alcance dos olhos, pois a natureza em suas diversas formas de demonstração da vida e tudo que se relaciona a ela já possibilitariam as respostas que tanto eles almejavam.

Bem, o fato é que eles de certa forma tinham razão. Quando Heráclito ao perceber os movimentos das águas em um rio discursou sua célebre percepção da mudança e proferia a frase “Não se pode entrar duas vezes no mesmo rio.” ele já nos relacionava com a grandeza em relação às mudanças.

Vivemos em constantes mudanças, tudo muda o tempo todo. Mesmo o que acreditamos não mudar, sempre pode estar sujeito a uma ação exterior que como consequência trará uma mudança que não controlamos.

Este por sinal é um tópico que falaremos mais adiante. Queremos controlar tudo e todos e no fundo, nada está ao nosso controle.

No estado do Espírito Santo, sendo mais preciso nas serras capixabas, (pouco conhecidas da maioria dos brasileiros e que guarda uma maravilha atrás da outra), existe uma pedra chamada de Pedra Azul.

Estou falando de um monolítico (Pedra única) de mais de 50 milhões de anos. Provavelmente ela já estava naquele lugar quando todos os continentes eram integrados. (A famosa Pangeia).

Se quiser saber mais sobre a Pedra Azul, vale a pena clicar no link.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Parque_Estadual_da_Pedra_Azul

Esta linda Pedra, que já visitei e tive a oportunidade de dormir aos pés dela nas lindas pousadas da região, parecem aos olhos do viajante ou mesmo dos moradores imutáveis. Boba questão. A ação do vento modela um dos lados da Pedra e ela ao longo dos milhões de anos tem ganhado um formato que evidencia a ação deste agente incontrolável.

Aquilo que aos meus olhos é imutável está na verdade o tempo todo sendo exposto a ações que podem gerar mudanças. Será mesmo que existe em nós algo que é imutável e que poderíamos escrever em uma pedra?

E O QUE É IMUTÁVEL PARA MIM?

Prática nada recomendada, porém utilizada por alguns pais sem que possamos saber ao certo por que, dia desses em terapia, um casal chegava com uma demanda muito complicada. Pais de um filho adotado ignoraram contar a verdade à criança ao longo da infância e juventude e agora o adulto com 21 anos ao saber de tudo, simplesmente foi embora e se revoltou.

Aquilo que parecia imutável para aquele jovem, (seu pais biológicos), de um momento para o outro não mais era verdade. Somos seres humanos! A grande verdade é que seja por qual motivo for, muitas das nossas crenças ou experiências são formadas em informações que pouco apego tem com a verdade.

Do conto de fadas fantasioso para nossos filhos dormirem que dizem os especialistas ser importante para a formação da imaginação a diversas situações que vivemos, crescemos em um ambiente onde em muitos casos não é a verdade o tema central.

Ao dizer que não se pode entrar no mesmo ponto daquele rio, Heráclito nos lembra de que a constante da mudança atua como uma forma incontrolável. Simplesmente não é permitido a nós controlar o fluxo da vida.

Mas se não podemos controlar, podemos sim direcionar. Não estou dizendo aqui que o famoso ditado popular empurrar com a barriga é a saída para tudo. Mas o fato é que ao nos debruçarmos sobre o que somos e o que queremos, chegamos perto de entender o que realmente importa para cada um de nós.

O que importa a você é diferente do que importa para mim. E para você, algumas coisas são imutáveis. Tomo café sem açúcar porque não aprendi a comer doce. Com um irmão diabético desde bebê, meus pais retiraram da nossa alimentação açúcar. Para mim, tomar café sem açúcar é algo imutável.

A questão reside sobre o seguinte ponto. Aquele jovem que tinha para si que seus pais eram mesmo seus pais biológicos tinha dentro dele que era imutável este ponto. Quando caiu por terra aquela verdade que ele tinha declarado desmontou seu mundo.

Quando uma perda expõe uma grande ruptura em nossas vidas, estamos diante de mudanças que em nossa consciência nunca achamos que poderíamos passar.  Por mais que nosso inconsciente traga como relances grandes cataclismas ou confusões são aqui os sonhos de papel fundamental, teimamos em não acreditar que algo pode acontecer.

O AMOR É IMUTÁVEL, MAS SERÁ QUE APRENDEMOS A AMAR?

O amor é imutável. Sim, quando ouço que amor e ódio moram perto sempre respondo que na verdade nunca houve amor. A questão é que não existe escola para aprender a amar.

Para amar alguém primeiro eu preciso amar a mim mesmo. Como me relaciono com meus sentimentos? Reconheço meus valores e minhas habilidades? Tenho orgulho de mim mesmo?

Não é fácil responder a estas questões, afinal como disse não existe escola para ensinar o amor. Recentemente, escrevi um artigo sobre ter consciência e orgulho do conhecimento que temos, vale a pena sua leitura também.

Quando começamos compreender o quanto temos de valor, começamos o reconhecer o quanto somos importantes e únicos. À medida que cresce esta nossa percepção, cresce nosso amor-próprio. Quem se ama, pode amar o outro.

Amar é experiência. Não se pode aprender na teoria a amar, apenas amando conhecemos o amor. Confesso que já vi muitas pessoas perdidas sem saber o que é amar. Mas também confesso que neste encontro consigo mesmo, existe uma beleza que apenas o amor verdadeiro pode explicar.

Gosto de dizer que na busca pelo meu amor-próprio, acabo encontrando o outro. Somos seres relacionais e não ilhas. É na compreensão do meu amor-próprio que encontro o outro assim, amando a mim consigo amar quem está ao meu redor.

Aquele jovem que havia sumido, bem ele voltou de onde estava um mês depois e reconheceu a imutabilidade do amor daqueles pais. Ele perdoou! Falando sobre o perdão cabe outro texto imenso.

Na terapia, eles se encontraram e caminharam juntos. Afinal onde existe amor verdadeiro, existe algo que não muda. Pode passar 50 milhões de anos, pois será apenas o amor o que irá permanecer.

Abraço forte querido leitor.

Benício Filho
Psicanalista Clínico, formado pela Kadmon Sociedade Brasileira de Psicanálise e Coaching. Com formação em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, atua no mercado como empreendedor no segmento de tecnologia desenvolvendo equipes, formando lideranças e criando negócios no Brasil e em outros países. Palestrante desde 2016 sobre temas como Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança Ressignificada, Empreendedorismo, Espiritualidade e Essência, já esteve presente em mais de 400 eventos. Sócio fundador do Instituto Elaborar e conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul) bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas” que mergulha em sua experiência na jornada que fez em Santiago de Compostela.