Autoconhecimento
AS CICATRIZES DA VIDA, SUAS MARCAS DE DOR E AMOR
27 de August de 2020

Muitos de nós, senão todos nós, em dado momento da vida nos deparamos com diversas arestas internas a serem aparadas. É quando conseguimos olhar para o nosso verdadeiro eu, tirarmos a venda dos olhos para enxergar tudo o que nos traz dor, tudo que não conseguimos mais lidar ou suportar.

Nesse incrível momento mergulhamos em nosso íntimo e compreendemos que nem tudo que passamos de fato foi superado, até nos sentir como heróis por tudo que passamos e aqui estamos… Sobrevivemos! Nessa hora começamos perceber que temos muitas feridas não cicatrizadas, outras já cicatrizadas, mas que ainda relatam as marcas de dor e também, marcas de amor do que vivemos, do que nos permitimos vivenciar, e então nos vem uma pergunta à mente: Até que ponto essas cicatrizes e marcas que carregamos nos atrapalham no presente? Seriam essas as âncoras que nos impedem de avançar ou de realizar nossos sonhos?  

Podemos chamar essas cicatrizes profundas na mente de traumas, que nada mais são do que experiências e eventos intensos, percebidos e sentidos de forma negativa, podendo impactar a vida de forma significativa.

Os casos mais comuns de traumas se dão através de eventos associados à perda de entes queridos, separação conjugal, violência sexual, assédio moral, acidentes, situações de estresse muito intenso, entre outros. Quando a superação dessa vivência traumática não ocorre de forma natural, ocasionando um trauma, pode afetar a nossa saúde emocional e física, nos levando até para crises de pânico, depressão, insônia, medo, entre tantas outras sensações desagradáveis. Como já bem dizia Sigmund Freud, o pai da psicanálise, “As emoções não expressadas nunca morrem. Elas são enterradas vivas e saem de piores formas mais tarde”.

A ANGÚSTIA COMO CAMINHO PARA COMPREENSÃO DOS TRAUMAS

A angústia gerada pelas lembranças de eventos traumáticos traz à tona as emoções associadas ao evento vivido, gerando desconforto, dor, medo, incerteza, e até mesmo o sentimento de incapacidade para lidar com essas sensações.

Mas como explicar ou até mesmo compreender a angústia? Será um vazio infinito? Sensação de dor e tristeza profunda? Inquietação e mal-estar? Dor no peito e palpitações? Falta de ar? Pensamentos negativos? Choro e desespero?

Sim, a angústia é uma avalanche de sensações dolorosas, apresentando alterações emocionais e físicas. É muito comum que esteja associada a quadros de depressão e outros problemas psíquicos.

Mas, e você, já parou para pensar qual a origem da sua angústia? Já parou para refletir sobre seus medos e vazios? Não é por acaso que Friedrich Nietzsche, o respeitado filósofo e escritor alemão, defendia que devemos seguir a nossa angústia, com sua frase muito conhecida “Siga a tua angústia, ela é o caminho rumo a ti mesmo”.

Essa sensação de vazio é desesperadora, e sabemos o quanto é assustador sentir esse misto de emoções e não conseguir lidar com tudo isso. Por essa razão é sempre recomendado procurar ajuda profissional. Um psicanalista certamente trará o acolhimento necessário e o acompanhará nesse processo terapêutico, através de técnicas analíticas, interpretações do inconsciente, compreensão de neuroses e traumas, visando ressignificar essas marcas de dor, e tão importante quanto, compreender e reconhecer as marcas de amor que nos tornaram quem somos e nos mantém firmes.

E AGORA, O QUE FAÇO COM A MINHA HISTÓRIA? A PSICANÁLISE COMO FERRAMENTA DO AUTOCONHECIMENTO

Você pode até pensar: “A minha vida é assim, sempre foi assim e não adianta querer mudar agora” ou “Só eu sei as dores e marcas que carrego e não tem o que fazer, paciência”. Então respondo a você: há muito para ser feito por você sim! Não podemos aceitar ou acreditar que a vida é isso ou aquilo e ponto!

Viver é uma experiência incrível! E deve ser explorada em sua plenitude de forma saudável, respeitando nossos sonhos e desejos mais profundos a ponto de um dia olharmos para traz e poder sentir aquela maravilhosa sensação de que tudo valeu a pena e que certamente faria tudo de novo! 

E então, eu pergunto: Será que você realmente se conhece? Compreende a origem de suas angústias? E a resposta mais comum é: “Sim me conheço, claro! Me conheço melhor que ninguém!”. E eu não tenho dúvidas disso, somente nós sabemos aonde nosso calo aperta. Partindo disso, vou ajustar a pergunta para “quanto” você realmente se conhece?

Muitos acreditam que conhecem a própria essência, que compreendem seus amores, dores, sonhos e até acham tranquilo falar sobre isso. Outros acreditam que se conhecer é tão óbvio que não precisaríamos falar sobre o tema.

Pois bem, muitos então se enganam completamente. Será que se enganam porque não querem assumir que olhar para dentro é uma tarefa árdua, trabalhosa e dolorosa? Ou porque realmente acreditam que se conhecem e no primeiro teste que a vida coloca, reprovam e então compreendem que não é tão simples quando soa?

Seja como for, o caminho do autoconhecimento é a chave do sucesso de uma vida equilibrada e emocionalmente saudável. Compreender nossas origens e como chegamos até aqui nos guiará para o conhecimento da nossa história, das partes boas e das não tão boas, mas que nos formataram no que somos hoje.

O autoconhecimento é o ponto de partida para compreensão da nossa essência e a busca pelo autorrealização. Estou feliz sendo o que penso ser? Minhas escolhas e atitudes correspondem ao que realmente gostaria de vivenciar? Pois é, quando entendemos a nossa essência, nossa missão, o que nos move e o porquê de agirmos de forma contraditória a tudo isso, temos insumos para redirecionar nossos esforços em busca do verdadeiro eu. Como é bom podermos ser nós mesmos, é libertador! Não basta somente se conhecer e não saber lidar com a sua própria história.

A psicanálise traz subsídios que permitem desenvolver esse autoconhecimento e quando acessamos esses conteúdos interiores temos duas opções: encarar de frente, mais conhecido como aceitar, elaborar e ressignificar para seguir a vida de forma leve, ou simplesmente negar e se manter estagnado, acreditando que a vida é apenas isso que nos foi apresentado e introjetado.

Ocorre que aceitar que temos fantasmas ocultos é um processo doloroso. Muitas vezes podemos compreender que “somos” ou “estamos” de forma que não necessariamente gostaríamos de ser ou estar, e para evitar conflitos internos e externos, optamos por negar. Infelizmente muitas pessoas, com o intuito de se defender, acabam negando sua vivência, seu trauma e sua dor, pois, acreditam que mexer vai doer ainda mais, quando na verdade, essa é a dor da cura, é a dor da liberdade. É muito comum vermos os indivíduos na negação, um dos mais famosos mecanismos de defesa fomentados por Sigmund Freud em sua obra. É quando a pessoa, de forma inconsciente, ou até mesmo consciente, finge que o fato não existe, nega esse evento para evitar contato com o pensamento ou sentimento associado.

No momento que aceitamos acessar nosso conteúdo interno mais precioso, iniciamos um incrível processo de elaboração dessas dores, traumas, interpretações incorretas, buscando harmonia para as emoções, criamos novas conexões, corrigindo rotas e redesenhando antigos padrões que hoje não fazem mais sentido.

E qual o resumo dessa jornada? Uma vida transformada e ressignificada aberta para novas experiências e realizações. E é com esse objetivo que o Instituto Elaborar conta com uma equipe de terapeutas capacitados para facilitar o processo terapêutico de forma individualizada, auxiliando o indivíduo a fazer as pazes em seu relacionamento com a vida de forma harmônica. Este artigo faz parte da nossa metodologia, em breve mais novidades.

Greice Vasques
Psicanalista clínica, formada pela Kadmon Sociedade Brasileira de Psicanálise e Coaching. Cursando especialização Junguiana (Psicologia Analítica) e em interpretação de sonhos. Sócia fundadora do Instituto Elaborar. Graduada em administração com ênfase em recursos humanos, com MBA em gestão empresarial, pela FGV – fundação Getúlio Vargas, com intercâmbio em Toronto, no Canadá. Atuou nas áreas de recursos humanos, gestão de negócios e marketing em renomadas corporações, tendo como destaque atuação em projetos estratégicos de desenvolvimento e implementação de metodologias de RH, gestão de categorias, comportamento do consumidor e gestão de produtos. Através dessa jornada, conectou-se com seu propósito de vida, atuar no desenvolvimento do potencial humano.