NOSSA HISTÓRIA, TEMOS CONSCIÊNCIA DO QUE VIVEMOS?
19 de October de 2020

Temos consciência do que vivemos? Será que as experiências vividas trazem para nós aprendizado real ou apenas estamos como diria o filósofo sendo empurrados pela força da água? Ter consciência do que se está vivendo gera a possibilidade de podermos tomar o leme da embarcação e fazer os ajustes da rota. Apenas agindo somos protagonistas das mudanças que tanto idealizamos.

Acredito sinceramente que você já teve a sensação em uma determinada situação, assim como eu, de já ter vivido algo similar de que está acontecendo ou já sabe mais ou menos o resultado daquilo tudo.

Podemos chamar de déjà vu estes insights que nosso cérebro trás no presente como algo já vivido. Nosso cérebro é um gigantesco processador de experiências, sensações e aprendizados. Ele ao mesmo tempo em que lança na memória o que nos marca emocionalmente, constrói aprendizados a partir deste conjunto de informações.

Bastante interessante este mecanismo, pois ao mesmo tempo em que precisamos viver o presente somos levados quase que a todo momento a projetar o futuro ou a achar que já estamos vivendo algo que apenas nossa imaginação está criando.

Veja como é um grande desafio analisar nossa história sem que isso nos prenda ao passado e ao mesmo tempo não nos aprisione ao eterno sonho de imaginar um futuro ou querer viver em função dele.

DESVELANDO O PASSADO PARA COMPREENDER O PRESENTE

O termo desvelar nos revela justamente o que precisamos fazer em relação ao nosso passado. Uma vez sendo tirado o véu que cobre nossas experiências vividas temos a oportunidade de compreendê-lo, elaborá-lo e dar o passo seguinte. Viver o presente.

É muito comum encontrarmos ao longo da vida, amigos, parentes ou mesmo pessoas do nosso cotidiano que saudosamente se lembram do passado como um tempo bem melhor do que o atual. Quantas vezes uma perda financeira ou familiar traz à tona sempre o sentimento de que perdemos nossa oportunidade em um passado vivido.

Perdas, erros ou falhas são aprendizados. Caminhamos em uma jornada chamada vida. Não existe uma forma de reviver o que foi vivido. Mais complicado ainda é lamentar o que já foi perdido. Como disse o filósofo Parmênides. “Sentado em um ponto de um rio, tenho uma visão da água que nunca mais se repetirá”.

Desvelar o passado significa de maneira estruturada compreender quais foram os aprendizados. Quais foram as perdas e elaborar da melhor maneira possível para podermos continuar em frente. O complicado deste retorno ao passado é que quando fazemos isso sozinhos, quase sempre ficamos presos a ele novamente.

Em um processo terapêutico, primeiro compreendemos o que foi vivido. A consciência da nossa história fundamenta o que somos no hoje. Desvelar o passado não pode significar o retorno a uma caverna ou sofrer eternamente sem que isso seja elaborado. A psicanálise ajuda nesse processo de entendimento dos fatos passados.

Quando compreendemos da onde viemos, a qual grupos pertencemos, o que vivemos e o quanto somos resultado disso tudo começamos a perceber o que está a nossa volta.

O PRESENTE SOMENTE É PRESENTE TENDO SIDO CONSTRUÍDO POR NOSSA HISTÓRIA

Após um grande trauma, muitas pessoas têm suas memórias zeradas. Um dos mecanismos do nosso cérebro de proteger nossa existência com o menor dano possível após um grande trauma é lançar uma enorme quantidade de hormônios em nossa memória causando um apagão nos instantes do trauma.

Este mecanismo também ocorre como recurso do nosso corpo em determinadas situações que não queremos jamais lembrar. Se por um lado isso é importante, por outro cria um buraco na compreensão de inúmeros comportamentos.

Quando nos reconectamos ao nosso passado com as ferramentas para compreendê-lo, nossa busca é pelo aprendizado conquistado. Viver a presente parte deste entendimento do passado vivido.

Não existe crescimento sem dor. Revisitar o passado é ter consciência das dores que em muitos casos ele provoca. Retirar as cascas de uma ferida pode representar o retorno de um sangramento que já havia sido controlado por nosso corpo.

Neste revisitar queremos apenas compreendê-lo, nem que para isso, mesmo que momentaneamente seja necessário sentir algo que nos incomode.

O FUTURO NÃO EXISTE ATÉ QUE ESTEJAMOS VIVENDO O PRESENTE

Planos, projetos e planejamento são inúteis sem que você e eu de fato estejamos vivendo o que temos hoje. Lembro-me do pai que ao perder o convívio dos filhos por quase cinco anos com a desculpa de estava construindo o futuro deles, chorava em uma sessão dizendo que não mais reconhecia seus filhos.

A perda da conexão com eles era tamanha que ele simplesmente não mais encontrava quase nada além da aparência que os relacionava a ele. Pensar num futuro sem que o presente seja o senhor do nosso tempo representa não viver a vida que temos.

Fazer planos, ter um bom planejamento e ter claros seus objetivos é fundamental para a construção de um projeto de vida. Mas o futuro nunca pode estar em detrimento do momento atual. Quando temos consciência do que estamos vivendo, enxergamos o hoje.

Você e eu somos a soma de tudo que vivemos. Que incrível é poder compreender todas as experiências, dores, alegrias e aprendizados disso tudo. A uma inteligência quando entendemos que tudo isso nos eleva enquanto seres humanos.

Como comentei em alguns parágrafos acima, fazer este retorno ao passado sozinho pode significar entrar em uma prisão. Conte com os psicanalistas do Instituto Elaborar para esta jornada junto com você!

Este artigo faz parte da nossa metodologia, em breve mais novidades!

Benício Filho
Psicanalista Clínico, formado pela Kadmon Sociedade Brasileira de Psicanálise e Coaching. Com formação em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, atua no mercado como empreendedor no segmento de tecnologia desenvolvendo equipes, formando lideranças e criando negócios no Brasil e em outros países. Palestrante desde 2016 sobre temas como Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança Ressignificada, Empreendedorismo, Espiritualidade e Essência, já esteve presente em mais de 400 eventos. Sócio fundador do Instituto Elaborar e conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul) bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas” que mergulha em sua experiência na jornada que fez em Santiago de Compostela.