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CONSIGO DEMONSTRAR O QUE SOU OU CONSTRUO UMA IMAGEM FANTASIOSA?
4 de December de 2020

É fato constatado que estamos diante de uma sociedade exigente, com novos padrões e cada vez mais não nos damos conta do quanto estamos indo conforme essa onda impositiva social, tornando alguns novos hábitos e condutas como premissa de aceitação grupal e autoaceitação.

A sociedade atual, digitalmente falando, está tomando conta das nossas vidas de uma forma desenfreada, existe quase que a obrigatoriedade em publicar belas imagens, corpos esculturais, fantasiosos autorretratos popularmente conhecido como as “selfs” cada vez mais irreais, saturados de filtros, minimizando qualquer ruguinha ou linhas de expressão mais evidentes. Fotos sem correção facial e/ou um bom filtro de maquiagem é quase que impossível de se achar hoje em dia.

PODEMOS DIZER QUE VIVEMOS CADA VEZ MAIS NUM MUNDO NARCISISTA?

Será que não estamos querendo ser belos e irretocáveis, além do sentimento de pertencimento, não queremos de certa forma um destaque nos grupos sociais a qual estamos presentes? Por que é tão difícil mostrar ao mundo como somos, na nossa essência?

Se buscarmos a palavra narcisista no dicionário, encontraremos o seguinte significado: pessoa que está completamente centrada em si mesma e na sua própria imagem. Esse termo narcisista é originário da mitologia grega, o mito de Narciso.

Que segundo o mito¹, Narciso era um homem muito belo e quando nasceu um dos oráculos, chamado Tirésias, disse que Narciso seria muito atraente e que teria uma vida bem longa. Entretanto, ele não deveria admirar sua beleza, ou melhor, ver seu rosto, uma vez que isso amaldiçoaria sua vida.

Além de ter uma beleza estonteante, a qual despertava a atenção de muitas pessoas (homens e mulheres), Narciso era arrogante e orgulhoso. E, ao invés de se apaixonar por outras pessoas que o admiravam, ele ficou apaixonado por sua própria imagem, ao vê-la refletida num lago.

A bela ninfa Eco esteve perdidamente apaixonada por Narciso, no entanto, seu amor nunca foi correspondido, posto que Narciso ficara atraído por sua própria imagem.

Com o excessivo amor por si próprio e sobre menosprezar a ninfa Eco, ela lançou um feitiço sobre Narciso, que ficou definhando até morrer no leito do rio. Com sua morte, o belo jovem foi transformado em flor.

QUAL A IMAGEM QUE REALMENTE QUERO MOSTRAR?

Encaixamo-nos em alguns padrões sociais justamente para uma possível aceitação do grupo que pertencemos. Sejam eles quais forem não estar dentro dos padrões gera um isolamento social, uma sensação de peixe fora d’água naquele ambiente.

É muito comum observar esse tipo de comportamento, vamos chamar de comportamento padrão, nos grupos de adolescentes onde a aceitação é o ponto de partida para se encaixar no grupo – o tal fazer parte.

Encontrar sua individualidade, nesta fase acontece o afastamento natural do arquétipo Pai e Mãe e inicia-se o arquétipo Anima e Animus, onde a Anima na psique do menino e do Animus na menina, os quais são responsáveis pelo relacionamento e atração pelo sexo oposto, além de outras características presentes na adolescência, como por exemplo, a necessidade de intelectualizar e fantasiar.

Ai que entra o questionamento atual, por que os adultos hoje em dia ficam presos nas mesmas características de um adolescente? O que realmente queremos mostrar?

Estamos apresentando uma imagem fantasiosa de nós e do nosso cotidiano, beirando o limite do não saudável, digo isso por que cada vez mais nos afastamos da nossa verdadeira essência, muitas vezes gerando angústias por situações e imagens criadas que não são condizentes com o nosso Eu.

TENHO VONTADE E CORAGEM DE QUEBRAR ESSES NOVOS PADRÕES?

Em meio a tantas informações, cuidado excessivo com si próprio e a autoimagem será que conseguimos ser nós mesmos? Entendam, estou falando da nossa essência! Temos vontade e coragem de quebrar certos padrões e “gritar ao mundo” quem realmente somos?

Toda e qualquer ruptura gera incômodos e nos tira da zona de conforto e tem lá suas consequências que nem sempre são ruins, você já parou pra pensar por esse lado?

Existe um lado muito positivo que por puro medo do desconhecido negamos enxergar, olhar além e ter consciência do quanto é libertador, lindo e leve extroverter nossa essência.

Quando nossa essência vem à tona, conseguimos mostrar uma verdade e uma beleza incontestáveis. E como consequência uma autoridade surge, a nossa autoridade, do nosso conhecimento e experiência de vida nos posicionamos e conseguimos ser nós mesmos!

Essa jornada de autoconhecimento e de responder “Quem sou eu nessa bolha digital?” ou “Sou quem sou e ponto!”, pode parecer uma tarefa difícil, mas com o apoio da psicanálise começamos entender quem somos, nossa vivência e qual é o nosso papel diante desse cenário todo.

Nós do Instituto Elaborar estamos à disposição para percorrer com você na sua jornada!

Esse artigo faz parte da nossa metodologia, em breve mais novidades!

¹(https://www.todamateria.com.br/o-mito-de-narciso/)

Sheila Murari
Psicanalista clínica formada na Kadmon Sociedade Brasileira de Psicanálise e Coaching, cursando especialização Junguiana (Psicologia Analítica) e em interpretação de sonhos. Publicitária graduada em Comunicação Social especializada em Publicidade e Propaganda, pela universidade São Marcos. Sócia fundadora do Instituto Elaborar. Atuou como atendimento publicitário em grandes e importantes agências de publicidade, gerenciou renomadas contas do varejo e institucional, como: Casas Bahia, Pontofrio, Coop (cooperativa de consumo e drogarias), Tigre, Coral, Bradesco cartões, AACD e grupo hospitalar Américas Serviços Médicos. Vivência no Banco Itaú Personnalité na gestão analítica de perfil de investidores para melhor direcionamento em aplicações e transações bancárias. Gestão de pacientes no Instituto Cohen.