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TENHO ORGULHO DO QUE ACUMULEI DE CONHECIMENTO?
25 de November de 2020

O processo de negação de quem realmente somos tem mais faces do que podemos imaginar. Quando dizemos que alguém é empoderado o que realmente isso quer dizer? Tem haver com seu conhecimento?

Quando olho no Linkedin o que as pessoas colocam como sua formação fica evidente para mim que a sociedade aplaude o que temos de diplomas, mas se nega a reconhecer o conhecimento vivido. Quando olho o que sou, tenho orgulho do que acumulei de conhecimento ou apenas mostra minha face dos diplomas?

Quando olhamos o que somos ou pelo menos o que chegou até este momento da história o que realmente nos traz? Alegria e orgulho ou ainda pode nos causar dor?

Recentemente escrevi um artigo sobre ancestralidade. Neste artigo, que você caro leitor pode ler em nosso site https://institutoelaborar.com.br/ancestralidade-heranca/, navegamos pela história de nossos ancestrais que muito influencia e colabora para o que somos. Como dizia Sigmund Freud, somos parte de um todo. Nestas partes o meio em que vivemos compõe aquilo que somos.

Sem entender o que nos trouxe até aqui e por que estamos aqui, como responder a tantas questões que temos sobre nossa existência ou como é possível compreender nossos sentimentos, angústias ou travas que levam as crenças limitantes que em muitos casos estão ligadas diretamente a nossa origem.

Quando falamos de conhecimento, muitas são as vertentes que poderíamos abordar. Mas quero enquanto psicanalista e fundador do Instituto Elaborar com meus queridos sócios, Greice Vasques, Sheila Murari e Marcos Doni aprofundar a temática do conhecimento a partir do universo da formação tradicional, escola, universidades, do conhecimento vivido e experiênciado.

Você vem comigo?

DESVELANDO O CONHECIMENTO

Somos partes de um todo que se compõe por experiências e aprendizados. Quando Immanuel Kant em sua obra critica a razão pura, construiu suas observações acerca do comportamento humano.

Ele queria segundo sua tese demonstrar que nascemos como uma folha em branco. A cada experiência vivida, vamos acumulando conhecimento e adicionando a esta folha pigmentos.

Sabemos hoje que ele, Kant, estava muito correto em sua análise. Sim, as experiências que são vividas compõem o mosaico da nossa existência. Mas, é inegável que carregamos uma boa carga de experiência dos nossos ancestrais ou ainda mesmo que em uma fase sem muita consciência de tudo que vivemos.

Quando Santo Anselmo que apesar do nome que faz referência a sua posição, depois elevada pela Igreja Católica, redigia seus tratados sobre o conhecimento ele trazia à tona o ato do desvelar. Desvelar para Anselmo era como colocar luzes sobre algo que é obscuro.

Para que acreditemos no que somos, precisamos como dizia Anselmo desvelar o que de fato sou e ter orgulho do que acumulei de conhecimento. Entenda aqui como conhecimento duas possibilidades: Conhecimento formal e Conhecimento vivido ou experiênciado.

Conhecimento formal é tudo aquilo que somos expostos com as eternas grades curriculares que pouco demostram efetividade na vida, mas que são essenciais para que possamos estar inseridos no contexto do mundo formal.

Gosto de refletir sobre a educação que temos ou tivemos de base, pois ela constrói ou como gosto de dizer, forja nossa identidade. Somos campeões mundiais enquanto brasileiros em relação à quantidade de conteúdo que somos expostos na escola.

Porém, quando são comparados nossos resultados em matemática, português etc., ficamos entre os piores países do mundo. A realidade é que a quantidade de matérias e temas que são colocados nas grades de ensino pouco tem de aderência à vida real.

Triste constatar esta realidade, pois passamos boa parte da vida em escolas e universidades. Para que o conhecimento seja aderente à vida ele precisa fazer sentido a ela. E desta forma, pensar no conhecimento vivido e experiênciado pode fazer toda a diferença em sua vida.

DEVEMOS NOS EMPODERAR DO CONHECIMENTO VIVIDO E EXPERIÊNCIADO

Minha mãe não teve acesso à educação formal. De família simples e que sobrevivia da agricultura primeiro no interior de São Paulo e depois no Paraná, nunca pode em sua vida ter acesso ao ensino formal. Já adulta, pode ser alfabetizada e assim pode ler e escrever mesmo com dificuldade.

Sua sabedoria foi um divisor de águas em minha vida e na dos meus irmãos. Construiu o que sou e levo comigo muito aprendizado que apenas ela poderia ter ensinado a mim.

Por vezes, viajei pelo Norte e Centro Oeste do Brasil, ora em viagens a trabalho ora em viagens de lazer. Em uma delas, em especial, tive contato com algumas comunidades indígenas.

Confesso que poucas vezes em minha vida tive acesso a tanto conhecimento em tão pouco tempo como foi possível conversando com aqueles índios sobre seu modo de vida, sobre as plantas e os animais.

Distante do ensino formal, somos tendenciosos a ignorar o conhecimento vivido, ou como tenho dito, o conhecimento que faz parte das experiências a que somos expostos. Olhamos o Linkedin de alguém e nos maravilhamos com o currículo exposto. Mas, quantos do que passam anos estudando realmente são, enquanto serem humanos, alguém que queremos ter perto de nós?

Viver é construir uma jornada. Mas, não construímos nada sozinhos. Quando escolhemos quem queremos ao nosso lado, escolhemos acima de tudo pessoa que nos fazem bem, não apenas pelo que estudaram ou o que são formalmente.

Nossa experiência de vida constrói o que somos e é estruturada pelo que mostramos na prática. Quem vive de máscaras suportando na vida aquilo que não é, pode facilmente ser levado a uma neurose que exerce mais pressão pela figura criada do que pela sua essência.

O monstro criado em função do que queremos ser desmorona e corrói seu Eu verdadeiro.

Quando negamos nossa sabedoria construída através do conhecimento adquirido por nossas experiências, negamos aquilo que somos de maneira real. Em um mundo marcado pelo que é exposto nas redes sociais temos a tentação de viver o que é expresso ali, mas não podemos esquecer o que realmente somos.

SERÁ QUE ESTOU PRONTO PARA EXPOR PARA O MUNDO O CONHECIMENTO QUE TENHO?

Quando buscamos nossa essência, e fique claro aqui que em um processo terapêutico a grande busca é justamente pela nossa essência. Um dos pilares fundamentais e basilares é justamente o empoderamento do que temos de conhecimento.

Lembro que em alguns processos terapêuticos que participei, quando a busca é real pela essência reconhecendo e se empoderando do conhecimento vivido, transformamos nossa visão do que somos. Nesta construção que gosto também de chamar de ressignificação, muitas foram às vezes que vi novas jornadas de vida se iniciar.

Novos contornos, reconhecimento e orgulho da vida vivida é uma consequente abertura de possibilidades e novas oportunidades. Quando negamos o que somos, negamos justamente o melhor que temos. Mesmo que em muitos momentos esta jornada tenha sido de dor, jamais esqueça que ela também revela todos os aprendizados.

Um casamento rompido, empresas quebradas em alguns casos perdas profundas e doenças podem ser vistas como percalços ou sofrimento. Mas, tais experiências nos colocam em vantagem quanto à maturidade e sabedoria.

Como não se empoderar disso?

Somos chamados a gritar para o mundo quem somos! O mundo literalmente precisa de exemplos e de vida vivida, não de títulos de power point.

Para ter coragem de assumir tudo isso para o mundo, em muitos casos, precisamos de ajuda. Saiba, você não está sozinho! Agende um momento conosco e caminharemos com você.

Este artigo faz parte da nossa metodologia, em breve mais novidades. Não perca!

Benício Filho
Psicanalista Clínico, formado pela Kadmon Sociedade Brasileira de Psicanálise e Coaching. Com formação em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, atua no mercado como empreendedor no segmento de tecnologia desenvolvendo equipes, formando lideranças e criando negócios no Brasil e em outros países. Palestrante desde 2016 sobre temas como Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança Ressignificada, Empreendedorismo, Espiritualidade e Essência, já esteve presente em mais de 400 eventos. Sócio fundador do Instituto Elaborar e conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul) bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas” que mergulha em sua experiência na jornada que fez em Santiago de Compostela.