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NOSSAS HERANÇAS, O QUE SABEMOS SOBRE ELA?
22 de September de 2020

Quando pensamos na nossa existência, de como somos, o que herdamos, o que realmente é nosso e o que não é, ficamos com milhões de perguntas e dúvidas na nossa cabeça, não é mesmo? Pois bem, como o assunto é extremamente complexo é necessário aprofundar um pouco nele.

Na maioria das vezes quando pensamos em hereditariedade, logo pensamos no DNA certo? Porém existem outros fatores que precisamos falar um pouco para entender o assunto.

Existem duas classificações para hereditariedade biologicamente falando, que são conhecidas como específica e a individual. Mas o que realmente diferencia uma da outra? Vamos entender brevemente como funciona cada uma delas.

Na hereditariedade específica podemos dizer que a herança de características comuns da espécie é determinada pelos fatores genéticos transmitidos a partir da procriação. Ou seja, nós, seres humanos, temos características estruturais físicas comuns à nossa espécie.

Agora, na hereditariedade individual os traços e as características próprias de cada pessoa são adquiridos através dos genes, que são unidades de informações hereditárias que formam os cromossomos. Onde os traços e características próprias do indivíduo o tornam um ser diferente de todos os outros, assim fazendo com que os filhos tenham características de seus pais.

Chegamos ao famoso DNA o mais lembrado, popularmente na hereditariedade, que é uma molécula presente no núcleo das células de todos os seres vivos e que carrega toda informação genética de um organismo.

As diversas sequências de DNA formam os cromossomos onde cada ser humano possui 46 cromossomos, sendo 23 recebidos da mãe e 23 cromossomos do pai. Cada par de cromossomos é composto de inúmeros genes e são eles que determinam tanto as características próprias da espécie humana, quanto às características próprias de cada indivíduo e que torna uma pessoa diferente da outra.

HEREDITARIEDADE E AS QUESTÕES EXTERNAS

Por muitas vezes nos questionamos, porque somos assim, ou porque será que aquela pessoa esbanja alegria ou aquela pessoa é tão mal humorada? Esses e outros tantos aspectos não são encontrados nos genes, não existe o gene da alegria, o gene da tristeza e assim por diante, o que acontece é a junção de alguns genes que formam essas características. Então amigo leitor é melhor dizer que a tal característica predominante na personalidade trata-se de uma tendência genética.

O ambiente em que um indivíduo pertence tem uma forte influência na formação da sua personalidade, podemos encontrar um exemplo disso nos irmãos gêmeos que por muitas vezes são muito parecidos ou até mesmo idênticos, criados no mesmo ambiente, mas cada um com uma personalidade própria.

E quando observamos a pré-disposição genética de algumas doenças como, por exemplo, hipertensão, diabetes e até mesmo a depressão, sabemos que elas podem ser controladas ou até mesmo inibidas de se desenvolverem por questões externas, como hábitos alimentares saudáveis, inclusão de atividades físicas regulares e uma boa dose de positividade ao encarar os desafios que a vida nos traz diariamente.

FORMAÇÃO DA PERSONALIDADE

Quando pensamos nos aspectos psicológicos, o que herdamos realmente? Somente a herança de fatores genéticos influenciam na formação de personalidade? Sabemos que não, já temos conhecimento que outros fatores influenciam diretamente na nossa formação.

A formação da personalidade é muito complexa e com muitas variáveis que precisamos conhecer e entender do individuo para então chegar a alguma conclusão. Segundo o precursor da psicanálise, Sigmund Freud, o desenvolvimento da personalidade está relacionado diretamente com o desenvolvimento psicossexual. A criança passa, em seu desenvolvimento, por cinco importantes fases desde o seu nascimento.

Vamos falar brevemente sobre cada uma dessas cinco fases:

Fase Oral, que acontece no primeiro ano de vida, essa fase é representada pela boca, onde o bebê alivia todos os seus desejos através dela, com a amamentação e descobertas colocando as mãozinhas, os pezinhos e brinquedos na boca. A mãe com seu olhar, toque e colo tem papel fundamental nessa fase.

A segunda é a Fase Anal, que acontece entre um e três anos de vida da criança. Essa fase é onde se inicia o controle fisiológico, o ato de contrair ou expelir as fezes pode trazer prazer à criança.

Passando agora para a Fase Fálica, dos três aos seis anos, observa-se nesse período que a criança começa perceber as diferenças entre a mulher e o homem, é também nessa fase que se inicia o famoso complexo edípico, momento das castrações, das regras do que pode e o que não pode fazer. Os limites dados nessa fase são de extrema importância para lidarmos bem com as frustrações futuras.

Chegamos à Fase da Latência, que vai dos seis até a puberdade, essa fase é caracterizada pelo desenvolvimento social, a criação ou estreitamento de laços e a convivência em sociedade. Se a pessoa por algum motivo ficar presa nessa fase, muito possivelmente poderá se tornar um adulto com dificuldade em se relacionar com outras pessoas.

E na Fase Genital, que vai da puberdade a vida adulta, caracteriza-se pelo desejo de relacionar-se sexualmente com outras pessoas. Assim, se o individuo passou por todas as fases de forma adequada, chegará à vida adulta sabendo ter equilíbrio em diversas áreas da vida.

Além das fases citadas na teoria Freudiana, é necessário levar em consideração e entender o ambiente que a criança faz parte, seja em casa ou na escola. Os adultos que fazem parte do convívio dessa criança podem influenciar diretamente na personalidade dela, nós adultos somos espelhos delas.

Não devemos exigir demais da personalidade de uma criança, pois corre o risco do amadurecimento precoce e anulação da infantilidade. Cada fase de nossas vidas deve ser respeitada e vivida integralmente.

Levando em consideração todas as informações, heranças genéticas, convivências e influências recebidas na infância uma pessoa pode desenvolver uma personalidade com características mais extrovertida ou introvertida.

Uma pessoa com característica extrovertida demonstra seus interesses e opiniões de forma mais espontânea em relação ao ambiente que vive, nos seus relacionamentos e situações do dia a dia tornando a pessoa mais prática e positiva. Já uma pessoa com a característica mais introvertida concentra todos os seus interesses com ela, não expressa facilmente sua opinião e que possivelmente pode gerar muitas frustrações e angústias.

Dependendo da característica de personalidade de cada indivíduo algumas manifestações virão à tona como: autoconfiança, positividade, boa integração social, praticidade, entre outros. Agora pensando ao contrário, as manifestações podem ser de insegurança, agressividade, medos, falta de paciência, frustrações, ansiedade e algumas neuroses.

Então com todo esse entendimento, podemos dizer que a influencia hereditária psicológica acontece conforme a pré-disposição da sua personalidade, aquela formada na infância, e talvez só apareça mais tarde se a pessoa estiver fragilizada emocionalmente, manifestando atitudes, sentimentos e pensamentos negativos.  

Se a pessoa mantiver o foco dos seus pensamentos nas frustrações, limitações e conflitos certamente possibilitarão o desenvolvimento de alguns transtornos psicológicos e ir diminuindo consideravelmente a sua real personalidade. Tornando-a mais suscetível para desenvolver alguns transtornos de personalidade, como o transtorno obsessivo, paranoide, esquizoide, borderline e dissocial e etc.

Temos uma grande possibilidade em dissociar uma personalidade herdada que muitas vezes não são boas para nós com o auxilio de terapia. A terapia é um processo longo, muitas vezes doloroso, onde as heranças dos nossos antepassados e experiências vividas não são bem assimiladas e interpretadas por nós e geram um olhar míope e de muito sofrimento.

A recusa de repetir ciclos pode acontecer, mas também há grandes possibilidades de nos manter com as mesmas características. Cabe a nós decidir qual destino daremos a nossa existência!

O mais importante e crucial no processo terapêutico psicanalítico é permitir, sentir e entender nossas heranças, separando o que é nosso e o que nos faz bem.

Precisamos nos respeitar e ser gentil com nós mesmos e caminhar para o autoconhecimento. Este artigo faz parte da nossa metodologia, em breve mais novidades!

Sheila Murari
Psicanalista clínica formada na Kadmon Sociedade Brasileira de Psicanálise e Coaching, cursando especialização Junguiana (Psicologia Analítica) e em interpretação de sonhos. Publicitária graduada em Comunicação Social especializada em Publicidade e Propaganda, pela universidade São Marcos. Sócia fundadora do Instituto Elaborar. Atuou como atendimento publicitário em grandes e importantes agências de publicidade, gerenciou renomadas contas do varejo e institucional, como: Casas Bahia, Pontofrio, Coop (cooperativa de consumo e drogarias), Tigre, Coral, Bradesco cartões, AACD e grupo hospitalar Américas Serviços Médicos. Vivência no Banco Itaú Personnalité na gestão analítica de perfil de investidores para melhor direcionamento em aplicações e transações bancárias. Gestão de pacientes no Instituto Cohen.