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O DESPERTAR DO SAGRADO COMO BUSCA DA VERDADEIRA NATUREZA HUMANA
21 de December de 2020

Buscamos quem somos quase que durante a vida inteira. Por que o despertar para alguns de nós parece que é algo inalcançável? A resposta que parece simples na verdade não é.

A ruptura com nossa verdadeira natureza têm custado à humanidade altos preços. Epidemias de doenças psíquicas comprovam que quanto mais nos afastamos do belo, no real, do essencial mais estamos distantes do que realmente somos. Neste artigo, quero aprofundar com você como buscar o verdadeiro Sagrado.

Somos seres espirituais em corpos físicos, não corpos físicos dotados de alma. Tal afirmação normalmente pode ser mal compreendida, afinal, falar de espiritualidade não é simples nos dias em que vivemos.

Confundimos religião com espiritualidade justamente por que cansamos dos dogmas ou das visões impostas por este ou aquele grupo religioso. Se o conceito original da palavra religião é o religar, entende-se aqui a interface que a religião exerce de conexão do homem com o Sagrado. 

Com o crescimento intelectual nunca antes visto pela humanidade, muitas são os questionamentos sobre a necessidade de um interlocutor para nos conectar ao Sagrado. Fica evidente assim a redução do protagonismo dos grupos religiosos.

Minhas reflexões acima não conotam prejuízo a um movimento específico. O que reflito é que por pressão do movimento religioso, a grande maioria dos seres humanos se afastaram do Sagrado. Criando assim, gerações de desconectados com a verdadeira espiritualidade.

Nossa existência não é fruto do acaso. Fomos gerados em um ecossistema real. Família, o meio onde vivemos, condições naturais para nascermos, alimento para nos nutrir e belezas para alimentar nossa alma. Nossa formação enquanto seres humanos depende dos tais serviços que utilizamos da natureza.

A água que você bebe, a comida que alimenta seu corpo, o sol que ilumina seu dia e a lua que inspira sua noite são elementos reais. Bem como, a enormidade de seres vivos que habitam a Terra seja no mar, no ar ou caminhantes pelo mundo.

O SAGRADO E SUA RELAÇÃO COM A TERRA E O COSMO

Nossa natureza descende da mesma natureza das demais formas de vida na terra. A curva evolutiva que nos diferencia basicamente está relacionada a nossa capacidade de nos comunicar e nos relacionarmos, criando conexões entre os demais da nossa espécie.

Tal evolução nos separou da luta pela sobrevivência e criou condições para nossa supremacia enquanto grupo. Conseguimos assim dominar todos os continentes, mas sempre com intrínseca conexão com o meio onde vivemos.

Quando alteramos nosso modelo de vida, do nomadismo para a sedentarização, começamos o processo que findaria em nosso modelo de vida atual.

O surgimento da agricultura e da domesticação dos animais formam o conjunto necessário de práticas e novos costumes para o aumento expressivo das populações humanas.

Deste salto evolutivo, talvez o mais importante, tenha sido ao longo dos milênios diversos povos distintos terem reverenciado as diferentes formas da natureza como divindades. Nesta relação do homem com a natureza sempre foi o respeito a sua grandeza o pilar central.

Mas o processo evolutivo não para. Bem que em alguns momentos podemos até chegar a pensar que se trata de uma involução e não evolução propriamente dita.

Com o advento recente das novas tecnologias e não digo nos últimos anos apenas. Desde a revolução do conhecimento o que chamamos de revolução francesa, o ser humano literalmente começou sua ruptura com o Sagrado.

Lógico que não se trata de um movimento orquestrado ou fruto de alguma conspiração como gostam de dizer alguns dos nossos amigos humanos. O que se iniciou neste processo foi a ruptura com a idade média. Lembre-se que justamente na idade média, mergulhada em dogmas a humanidade viveu seu maior período de obscurantismo e negação do conhecimento.

De um extremo a outro, saímos da prisão e começamos a questionar tudo que era ligado a espiritualidade, acreditando que apenas o conhecimento poderia responder a tudo e a todos.

Nesta busca pelo conhecimento empírico chegamos ao vazio. Se somos todos inter-relacionados como negar nossa natureza humana? O reconhecer da nossa natureza passa por contemplar o que é simples, belo e cotidiano.

O Sol que está sempre emanando sua luz, o ar que nos toca sem que percebamos, os sons da natureza ou da música produzida por alguém que nutre nossos sentidos, os aromas e cheiros presentes em quase tudo que podemos interagir.

A natureza sempre está a nossa volta, mas por instantes deixamos de percebê-la. Começamos acreditar que nascemos e crescemos dentro de estruturas construídas por humanos. O concreto passou a ser nosso lar.

Quando olhamos para o céu, enxergamos apenas aviões nem os astros que em uma noite sempre estão presentes conseguimos ver. Na libertação que o conhecimento tecnológico promoveu entramos em uma cela sem janela chamada tecnologia.

Os aplicativos podem resolver quase tudo, menos nossa conexão emocional com o outro e com o Sagrado. O resgate do Sagrado em nossas vidas passa pela desconexão e em muitos casos desintoxicação das ferramentas tecnológicas presentes à exaustão em nosso cotidiano.

O DESPERTAR PARA O SAGRADO PASSA PELA AÇÃO INDIVIDUAL

Os chamados mestres da suspeita, Marx, Nietsche e Freud lançaram luzes sobre o vazio existencial em que a humanidade estava entrando. O mais interessante é que os três nem sequer chegaram a ver onde o desenvolvimento tecnológico levou a humanidade.

Em seus ensaios, cada um a seu modo e maneira, questionaram a crítica e a razão desenvolvida antes deles aonde prevalecia o saber racional em detrimento a sabedoria do emocional e a harmonia entre o racional e o psíquico.

Os desdobramentos dos questionamentos destes mestres levaram novamente a humanidade a se confrontar com algo maior que apenas o conhecimento que ela estava acumulando.

A enorme quantidade de pessoas que começavam a desenvolver transtornos emocionais ou mesmo a tirarem suas vidas desencadeava questionamentos e reflexões do por que de tanto sofrimento, se afinal, quase que em todas as regiões do globo a melhoria nas condições de vida evidenciava um aumento expressivo inclusive na média do tempo de vida.

Seria realmente exagero dizer que este movimento que descrevo teve como origem os avanços tecnológicos. O que está em questão é que ou entendemos que não somos máquinas, e sim seres de alma com corpos ou continuaremos repetindo nossos atos e a cada dia vendo a humanidade mais doente, ignorando os demais seres vivos e em descompasso com a terra.

O desenvolvimento que alcançamos pode ser Graça, mas, para isso ele precisa ser o meio para que mais pessoas possam ter acesso a melhores condições e viveram bem. O começo de toda a jornada humana é o homem e sua relação com a terra e o cosmo.

Nesta relação entre os três, nasce a trindade que compreende a nossa relação com a Terra. O homem é participe de um todo não seu protagonista hegemônico. Somos mais uma espécie neste planeta e para isso nossa relação com ele deve ser uma relação de gratidão e reconhecimento.

Nossa consciência e capacidade de conexão devem ser colocadas a serviços dos demais seres recuperando assim, a harmonia que perdemos. Quando nos relacionamos com a Terra em uma relação de troca podemos viver em sintonia.

A exploração que desencadeamos pelo consumo desenfreado sem necessidade esta exaurindo tudo e todos. Acumulamos para preencher o vazio emocional que temos.

Recomeçar é preciso! Mas isso é mais simples do que pensamos.

Respire, sinta o ar adentrando seu corpo. Tome sol, deixando o calor dos raios solares tocarem sua pele. Contemple as árvores como se elas ouvissem sua voz. Respeite os demais seres como se estivesse olhando para uma pessoa amada. Deixe que o dia tenha as 24 horas, mas que cada uma delas você perceba.

Acredite, a Graça está ao nosso lado, mas precisamos permitir que ela seja o centro em nossas vidas. O Sagrado, ele é intrínseco a nossa existência, mas para percebê-lo, precisará deixar de enxergar com os olhos e começar a sentir e ver com o coração.

A nova trindade não tem nada de novo, mas vivê-la é um enorme sinal de disrrupção.

Esse artigo faz parte da nosso metodologia. Aguardem mais novidades em breve.

Benício Filho
Psicanalista Clínico, formado pela Kadmon Sociedade Brasileira de Psicanálise e Coaching. Com formação em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, atua no mercado como empreendedor no segmento de tecnologia desenvolvendo equipes, formando lideranças e criando negócios no Brasil e em outros países. Palestrante desde 2016 sobre temas como Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança Ressignificada, Empreendedorismo, Espiritualidade e Essência, já esteve presente em mais de 400 eventos. Sócio fundador do Instituto Elaborar e conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul) bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas” que mergulha em sua experiência na jornada que fez em Santiago de Compostela.