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RECONHEÇO O QUE SOU ENQUANTO PESSOA HUMANA?
10 de December de 2020

COMPREENDER NOSSOS LIMITES E A IMPERFEIÇÃO HUMANA

O que é limite para você? Seria literalmente “o que atingiu um ponto máximo ou extremo?” Compreender o que é limite é importante, mas não basta, é fundamental conhecer com profundidade o seu limite, e ir além, compreender o seu ponto de equilíbrio, de forma que esse limite não seja ultrapassado.

Um dos grandes males da sociedade moderna é a cobrança de sermos invencíveis e altamente produtivos, o que podemos chamar também de multifuncional, não somente nas organizações, mas principalmente, na vida pessoal. Como ser 100% em todos os papéis que a vida nos exige?

Ser a melhor mãe, pai, melhor esposa (o), melhor filha (o), melhor irmã (o), melhor amiga(o), melhor profissional, melhor aluna (o), e ainda dar conta de ter alimentação equilibrada, praticar exercícios físicos, entre tantas outras expectativas. Será que é realmente necessário? Ou melhor, será que é realmente possível?

Fato é que enquanto humanos, jamais seremos “perfeitos” no sentido de fazer tudo o que precisa ser feito para ser considerado socialmente produtivo, com eficácia e eficiência, em todas as esferas e em todos os momentos, não somos máquinas, e precisamos respeitar isso!

Atualmente parece ser proibido falar em tempo livre, afinal, tempo livre é tempo perdido. Muitas pessoas entendem limite como restrição e não como respeito ao seu eu.  Caros leitores, a nossa mente, definitivamente, precisa da gentileza de um tempo livre, de um pequeno momento ocioso para se refazer do caos social, para permitir a reflexão e sair do modus operandi automático.

A mente necessita ser esvaziada para que possamos ter contato com nós mesmos, com o nosso interior, com a nossa essência. A mente precisa de tempo para avaliar e julgar se o caminho escolhido ainda faz sentido, se as angústias do dia-a-dia são reais e se podem ser aliviadas e até mesmo eliminadas, e por fim, tempo para refletir e aceitar quem somos o que somos, dentro da nossa realidade particular e no nosso tempo.

  O verdadeiro aprendizado da humanidade é permitir se conhecer, compreender seus limites e respeitá-los com a merecida compaixão. A psicanálise corretamente aplicada é uma importante ferramenta que auxilia nesse processo de autoconhecimento, evolução e aceitação.

E ao caminhar por essa estrada do autoconhecimento, quando conquistamos a sabedoria de dizer não para alguém ou para si mesmo quando for necessário, é um ato de respeito e amor próprio.

RECONHECER NOSSAS VIRTUDES

Naturalmente temos a nítida percepção de nossas dificuldades, nossas fraquezas, nossos medos. Mas e as nossas virtudes? Como é difícil conhecê-las, afinal, é muito mais fácil identificar e falar das coisas que não gostamos e que comumente somos criticados por estas.

Estamos mais uma vez trazendo à tona a importância do autoconhecimento, onde, além de identificar nossas fortalezas, nos permitimos reconhecer, aceitar e o mais importante, vivenciá-las.

Por que não podemos ser livres? Se nasceu mulher, tem que ser mãe? Se estudou arquitetura e não se identifica mais com a profissão, não pode ser um administrador? Se nasceu homem tem que se relacionar com mulher? Se está em um relacionamento tóxico, tem que permanecer?

Por que nos sujeitamos viver tão angustiados e contrariados? Permitir expandir a consciência e compreender nossos próprios conflitos é um ato de carinho e autocuidado. Se libertar das crenças limitantes é um processo de desvinculo neurótico onde a venda é retirada dos olhos e um novo ser pode emergir, de forma saudável e plena.

Reconhecer nossas virtudes é muito mais do que saber o que temos de melhor, é nos apropriar e vivenciar esse melhor. Reconhecer nossas virtudes é não permitir que essas fiquem escondidas, arquivadas, trancadas em gavetas, e sim, que essas fortalezas transcendam, aflorem e sejam utilizadas.

Aproprie-se de quem você é! Liberte-se para viver o seu verdadeiro Eu sem se preocupar com as famosas frases, “O que vão falar?” ou “O que vão pensar?”. Reflita sobre a qualidade de vida que você quer para você a partir de agora!

Como bem dizia o respeitado precursor da psicologia analítica, Carl Gustav Jung: “Quem olha para fora sonha, quem olha dentro desperta”.

Vamos juntos nos permitir despertar para a nossa melhor versão?

COMPAIXÃO DE QUEM SOU

Você sabe o que é compaixão?

Não deve ser confundida com empatia, pois, a compaixão vai além de se colocar no lugar do outro, a compaixão materializa a empatia em forma de ajuda, apoio de fato.

Conforme o dicionário, compaixão é um sentimento de pesar, de tristeza causado pela tragédia alheia e que desperta a vontade de ajudar, de confortar quem dela padece.

Será que esse sentimento de pesar deve ser somente por terceiros? E como fica a autocompaixão? Sim, temos o dever de nos compadecer de nossos traumas, nossas tragédias, nossas dores, nossos conflitos, nossa história. Autocompaixão do nosso Eu.

E quando somos nós que estamos padecendo, precisamos permitir nos amar e nos ajudar, assim como faríamos pelo próximo. Ao compreendermos que somos humanos e a humanidade não é perfeita, aceitamos que precisamos de ajuda do outro, assim como o outro também precisa, ou um dia, precisará da ajuda do próximo.

E tudo bem se sentir frágil as vezes! Tudo bem assumir que sente dor, que sente raiva, que sente medo, que sente arrependimento, que sente nada mais ou menos que sentimentos inerentes a raça humana.

A sabedoria de nos permitir e assumir para nós próprios que sim, somos seres humanos com falhas e virtudes, mas com vontade incansável de evoluir e seguir uma vida cada vez mais saudável emocionalmente é nos acolher com a compaixão e respeito!

Se permita ser! Se permita viver, em paz! Afinal, está tudo bem poder ser você mesmo.

Greice Vasques
Psicanalista clínica, formada pela Kadmon Sociedade Brasileira de Psicanálise e Coaching. Cursando especialização Junguiana (Psicologia Analítica) e em interpretação de sonhos. Sócia fundadora do Instituto Elaborar. Graduada em administração com ênfase em recursos humanos, com MBA em gestão empresarial, pela FGV – fundação Getúlio Vargas, com intercâmbio em Toronto, no Canadá. Atuou nas áreas de recursos humanos, gestão de negócios e marketing em renomadas corporações, tendo como destaque atuação em projetos estratégicos de desenvolvimento e implementação de metodologias de RH, gestão de categorias, comportamento do consumidor e gestão de produtos. Através dessa jornada, conectou-se com seu propósito de vida, atuar no desenvolvimento do potencial humano.