SETEMBRO AMARELO
SETEMBRO AMARELO – VOCÊ NÃO ESTÁ SOZINHO!
12 de September de 2020

O dia Mundial da Prevenção ao Suicídio, 10 de setembro, foi instituído pela OMS (Organização Mundial da Saúde) no ano de 2003. A ação do setembro amarelo teve início no Brasil em 2015, onde podemos contar com o CVV (Centro de Valorização da Vida), que promove atendimento de apoio emocional gratuito realizado por voluntários com o objetivo de prevenir suicídios, além de incentivar o diálogo sobre o assunto, que ainda sofre com diversos preconceitos pela sociedade. A chamada telefônica também é gratuita através do telefone 188.

De acordo com dados de 2018 da OMS (Organização Mundial da Saúde), o suicídio está entre as dez maiores causas de morte no mundo, sendo uma das três maiores causas de morte na faixa etária entre 15 e 35 anos. O Brasil ocupa o oitavo lugar no ranking mundial.

Trata-se de um assunto de saúde pública, extremamente delicado e complexo, que faz com que indivíduos e especialistas pensem nas causas que levam alguém a chegar a ponto de sentir que sua existência é insuportável e tirar a própria vida. Porém, ainda é um tema que sofre tabu da sociedade. Infelizmente, a grande maioria dos casos de suicídio poderiam ter sido prevenidos com ajuda e intervenção médica especializada, no entanto, o preconceito existente além da falta de conhecimento, impedem que muitos casos cheguem aos consultórios.

De acordo com o respeitado neurocientista Pedro Calabrez, os meios de comunicação podem utilizar eventos de valência emocional negativa para atrair a atenção dos leitores, no entanto, existem muitas especulações sobre o assunto e normalmente é abordado de forma superficial ou sensacionalista, especialmente quando alguma celebridade comete suicídio.

De fato, a recomendação dos especialistas é que um evento desse tema não deve ser polemizado com destaque na primeira página, até para que o ato não seja incentivado ou até mesmo imitado, principalmente entre pessoas que lutam com problemas de saúde mental. A comunicação sobre suicídio deve gerar em torno da prevenção, buscar levar a informação massificada sobre a existência de doenças e transtornos mentais que podem motivar o indivíduo às ideações suicidas, e que, sim, tem tratamento.

FATORES DE RISCO DO SUICÍDIO OU IDEAÇÃO SUICIDA

Sabemos qual é a causa? O que leva alguém a cometer suicídio?

Falar em causa é algo complexo e muito amplo, por essa razão, falar em fatores de risco é mais adequado para o tema suicídio. Quem toma a atitude de tirar a própria vida, na verdade, gostaria de se ver livre da imensa dor interior, e não da vida, no entanto, não consegue vislumbrar outra alternativa que alivie o abismo de seus sentimentos.

Os principais fatores de risco vão além da depressão. Estudos apontam que a depressão associada a outros transtornos mentais podem aumentar o risco. Entende-se como principais transtornos mentais relacionados ao suicídio, a esquizofrenia e o transtorno bipolar, que associados também ao consumo elevado de substâncias químicas, podem levar ao aumento exponencial do risco ao suicídio.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) aponta que indivíduos que possuem diagnóstico de doenças crônicas, doenças neurológicas e HIV também são apresentados como fatores de risco ao suicídio, uma vez que, dado um diagnóstico de doença sem cura, aumenta a propensão à tristeza profunda, ao desespero, desesperança, levando a depressão.

De acordo com especialistas, a impulsividade também é um fator de risco atrelado ao suicídio, e na adolescência em função de todos os fatores hormonais esse comportamento tempestivo é mais acentuado, podendo ocasionar o aumento de risco entre os jovens expostos a situações extremas.

Uma pessoa que em algum momento já tentou tirar a própria vida, deve ser observada com o máximo de atenção, pois entre outros esse é um dos fatores de risco.

PRECISAMOS FALAR MAIS SOBRE A DEPRESSÃO!

Depressão não é frescura, depressão não é uma simples tristeza. Depressão é uma doença como qualquer outra doença. Precisamos quebrar o preconceito que permeia sobre essa patologia e é somente através da informação, da comunicação estruturada que a sociedade irá compreender que depressão é uma doença que pode ser grave e debilitante, trazendo diversos efeitos colaterais negativos, como por exemplo, o suicídio. O mais importante é que a depressão pode ser tratada, e muitas pessoas não sabem disso.  

Não é fakenews! Estudos apontam que o cérebro de uma pessoa depressiva se comporta de forma diferente, apresentando disfunções, por essa razão medicamentos podem ser utilizados para equilibrar a química cerebral.

Segundo a ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), em média 95% dos casos de morte por suicídio correspondem a pessoas com diagnóstico de transtornos mentais, e a depressão lidera esse ranking. Esse dado é muito preocupante que faz necessário cada vez a conscientização sobre a depressão.

A ideação suicida costuma ser comunicada através de frases, como: “Quero sumir”,Vou desaparecer”, “Queria dormir e nunca mais acordar”. O maior problema é que na maioria das vezes, não são levadas a sério. No entanto, em outros casos, a ideação suicida não apresenta sinais claros, mas alguns alertas podem ser notados, como, um indivíduo que se apresenta com total desesperança sobre a própria vida, se comporta de forma autodestrutiva e fala de forma enfática sobre a morte. Sintomas típicos de depressão profunda, como, isolamento social, excesso de tristeza e desânimo podem indicar atenção à ideação suicida. 

Não menospreze os sentimentos de alguém que esteja nessas condições, seja um bom ouvinte. Se você conhece alguém nesse estado, ou, se você se enxerga nesse contexto, não pense duas vezes em recomendar ou buscar um tratamento adequado. Procurar um médico psiquiatra e fazer terapia não é coisa de gente fraca ou gente “louca”, é atitude de pessoas conscientes de que a saúde mental é tão importante quanto a saúde física.

A psicanálise tem por objetivo oferecer ao indivíduo o alívio desses sintomas, de forma acolhedora e totalmente individualizada. Buscar a fonte dessas crises para elaborar corretamente as dores emocionais mais profundas, de forma a ressignificar esse conteúdo, permitindo que o indivíduo veja a vida por outro ângulo, de forma saudável. Um tratamento terapêutico, tem a função de trazer luz à escuridão daquele indivíduo deprimido, através do amor e da empatia.

Não se esqueça, você não está sozinho! Procure ajuda, procure os terapeutas do Instituto Elaborar. Nossa equipe está à disposição para te ouvir, te acolher e te ajudar com muito respeito à sua dor.

Greice Vasques
Psicanalista clínica, formada pela Kadmon Sociedade Brasileira de Psicanálise e Coaching. Cursando especialização Junguiana (Psicologia Analítica) e em interpretação de sonhos. Sócia fundadora do Instituto Elaborar. Graduada em administração com ênfase em recursos humanos, com MBA em gestão empresarial, pela FGV – fundação Getúlio Vargas, com intercâmbio em Toronto, no Canadá. Atuou nas áreas de recursos humanos, gestão de negócios e marketing em renomadas corporações, tendo como destaque atuação em projetos estratégicos de desenvolvimento e implementação de metodologias de RH, gestão de categorias, comportamento do consumidor e gestão de produtos. Através dessa jornada, conectou-se com seu propósito de vida, atuar no desenvolvimento do potencial humano.