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SOU MOVIDO POR SONHOS OU POR ILUSÕES
27 de October de 2020

Sou movido por quê? Sonhos ou ilusões? Bem, como seria fácil responder esta pergunta se estivéssemos falando dos outros. Mas quando é nos dado o desafio de falar em primeira pessoa o que somos, travamos. A questão aqui é não ter medo da nossa verdade. Mesmo que por alguns instantes quase que esquecemos o que de fato estamos fazendo por aqui.

Antes de avançarmos em nossas reflexões, é importante entendermos de qual ponto estamos partindo. Sonhos são as razões que nos fazem acordar cedo, comer ou engolir alguns sapos e dia após dia construirmos com determinação o que acreditamos.

Acreditar em algumas coisas é essencial para que tenhamos razões fortes para viver. Porém quase sempre vivemos dentro de um universo ou uma enorme bolha de ilusões. Bem interessante pensar assim, pois avançando em nossa reflexão perceberemos que elas, as ilusões, corrompem nossa energia e retiram nosso foco do local real que ele deveria estar.

Um belo ponto de partida é fazer o exercício em relação ao que me move. Os americanos gostam de usar o termo razão forte. Veja que o termo razão forte está diretamente ligado a racionalidade. Quando defino realmente o que é importante para mim, estou racionalizando e criando um ponto de destino das minhas energias.

Bem diferente de fazer um planejamento definir uma razão forte é acreditar no que sonhamos. Parece estranho, mas não é! Eles os nossos sonhos são construções do nosso inconsciente do que justamente queremos.

QUANDO COMPREENDO MEUS SONHOS, CRIO MINHAS RAZÕES FORTES

Interessante pensar sobre nossos sonhos, pois com frequência ouço de muitos que não sabem dizer quais são os seus sonhos. Será que não sabem dos sonhos ou não sabem das razões que movem o seu dia a dia?

Boa questão para refletir. E vamos às reflexões.

Sócrates, filósofo maior da Grécia antiga, levado à morte justamente por sua coragem que provocava a todos através de um método que ele mesmo desenvolvera. A chamada dialética socrática convidava seus interlocutores a refletirem através do questionamento problemas ou questões ligadas a nossa existência.

A pergunta dizia Sócrates é a maior arma contra a ignorância. Quando estamos diante de questões que precisamos resolver nada melhor do que nos questionarmos do por que estamos naquele momento.

Uma razão forte, não nasce do acaso. Apenas questionando nossas incertezas ou mesmo nossas certezas poderemos criar uma verdadeira versão nossa do que somos e do que queremos. Será que é simples fazer esta jornada?

Compreender nossos sonhos é primeiro apoderar-se deles. Quando libertamos nossa capacidade de sonhar caminhamos para começar a enxergar o que somos e o que queremos.

DESEJAR É IMPORTANTE MAS VIVER DE DESEJOS É VIVER UMA ETERNA FRUSTRAÇÃO

Platão por sua vez, discípulo de Sócrates trouxe a tona grandes reflexões sobre o que nos move. Somos seres de desejos. Ele, o desejo, nasce do nosso ímpeto de continuar nossa existência enquanto espécie.

Se por um lado desejar é importante, uma vida de desejos coloca em primeiro plano o imediato como mais importante sem que compreendêssemos o que é o presente. Quero aprofundar um pouco mais esta temática falando sobre o tempo.

Platão falava sobre um mundo ideal, o chamado mundo das ideias. Nele, reinava a atemporalidade. A ausência do tempo nos leva a pensar sobre o presente como o motor das nossas ações.

Uma vida de desejos é uma vida vivida em um tempo diferente do presente. Quem vive de desejar algo, vive em um futuro que não existe. Quero isso para ter aquilo. Preciso conquistar tal coisa para ter o que mereço.

Desejar o que não se tem é viver em frustrações. Viver um futuro que não existe é desperdiçar o tempo. Vale lembrar que ele, o tempo, é o bem mais perecível que temos. Você caro leitor é mais velho agora do que era antes de iniciar esta leitura deste artigo.

COMO HARMONIZAR DESEJOS COM MEUS SONHOS?

Desejo é algo simplesmente fundamental em nossa vida. Como imaginar uma vida sem desejos? Impossível! O ponto em questão é harmonizar os meus desejos e alinhá-los aos meus projetos que estão diretamente ligados ao meu propósito.

O mecanismo cerebral que nos motiva a fazer tudo que gostamos é o chamado mecanismo da recompensa. Ele é bastante interessante e importante pois é através dele que sentimos prazer e repetimos algo que gera essa sensação.

Se por um lado este mecanismo cria justamente a engrenagem que nos move ele por sua vez gera a frustração quando ao desejar algo não somos atendidos. Eis aqui a questão. Harmonizar nosso mecanismo de recompensa com a vida real ou melhor o presente é fundamental para nosso próprio equilíbrio.

Recuperando Sócrates, nosso filósofo maior dizia que em uma jornada de autoconhecimento, o mais fundamental seria responder a seguinte questão: “Conhece-te a ti mesmo?”

Fazer esta jornada em busca do nosso universo interior sozinho é bastante difícil. Mas quando somos guiados, podemos desbravar caminhos nunca antes percorridos e descobrir um novo ser humano.

A psicanálise nasce do desafio de mergulhar no nosso interior através do questionar. Quando reflito sobre uma pergunta tenho grandes chances de desligar de tudo e fazer uma experiência real em relação a quem sou.

Deixar as frustrações e começar a construir seus sonhos deveria ser nossa maior missão. Se quiser e tiver coragem de iniciar esta jornada, conte conosco. O Instituto Elaborar pode ajudá-lo.

Esse artigo faz parte da nossa metodologia! Em breve teremos mais novidades.

Forte Abraço.

Benício Filho
Psicanalista Clínico, formado pela Kadmon Sociedade Brasileira de Psicanálise e Coaching. Com formação em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, atua no mercado como empreendedor no segmento de tecnologia desenvolvendo equipes, formando lideranças e criando negócios no Brasil e em outros países. Palestrante desde 2016 sobre temas como Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança Ressignificada, Empreendedorismo, Espiritualidade e Essência, já esteve presente em mais de 400 eventos. Sócio fundador do Instituto Elaborar e conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul) bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas” que mergulha em sua experiência na jornada que fez em Santiago de Compostela.